20 anos de formada, por Rafaella Magalhães

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Esperei 20 anos por este dia. O dia em que faria 20 anos de formada como Dentista. Deve parecer muito (tipo, “que velha”) para os recém-formados e pouco para aqueles que já vão mais a frente (“que criança”). É bom. Muito bom. Digamos excelente. Sabe por quê? Porque tive a incrível sorte de conseguir, aos 16 anos conseguir decidir, optar, achar, escolher ou arriscar uma profissão que por sorte, destino ou alguma lógica era exatamente onde me encaixava. Não tenho patrão, posso escolher meus dias de férias, mas também não tenho nem férias, nem 13º salário. Trabalho com as costas curvadas, por mais que tente ser ergonómica, tenho muito barulho na cabeça, forço bastante as vistas e lido com material contaminado. Dizem que é das profissões de maior risco para a saúde. Tive e tenho que estudar muito, bastante. Trabalho com pessoas o dia inteiro. Mães, pais, avós, crianças, adolescentes. Trabalho com gente boa, da melhor qualidade. Ouço histórias incríveis. Faço amigos, vejo crianças crescerem, vejo adolescentes passarem pelos exames, pela universidade. Vejo pessoas mudarem para o exterior, voltarem do exterior. Vejo pessoas casarem-se. Vejo bebés nascerem. Vejo adolescentes gritarem de felicidade quando tiro o aparelho ortodôntico. E adultos também. Ensino pessoas a passar o fio dentário. Ensino pessoas a lavarem os dentes. Aconselho crianças a comer menos áçucar. Trabalho com um órgão que come, mastiga, fala, sorri, beija. Trabalho com aquilo que a pessoa tem de melhor: o sorriso. E por isso, hoje é mais um dia feliz.

Não conseguiria aqui agradecer a todas as pessoas que fizeram parte deste percurso, pois correria, com certeza, o risco de me esquecer de alguém. Por que foram tantas, tantas as pessoas que me ajudaram além dos meus pais que me arrepio até de pensar. Obrigada a cada um de vocês, que bem sabem que são.